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A ameaça da desigualdade de oportunidades

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Via IMF (Den Internationale Valutafond)

Gráfico da semana: A ameaça da desigualdade de oportunidades






(foto: Creative Touch Imaging/Newscom)

(foto: Creative Touch Imaging/Newscom)








November 12, 2019















Shekhar Aiyar e Christian Ebeke

As opiniões se dividem quando se discute a relação entre desigualdade de renda e crescimento. Alguns afirmam que uma certa dose de desigualdade é inevitável como parte do processo que recompensa a inovação e a tomada de riscos. Outros sustentam que a desigualdade excessiva de renda deprime o investimento em capital humano e físico, dois componentes essenciais do crescimento a longo prazo.

Em um estudo recente, argumentamos que o elo perdido fundamental na relação entre desigualdade e crescimento é a desigualdade de oportunidades.

Em sociedades onde as oportunidades são desiguais, inclusive entre as gerações, um aumento da desigualdade de renda tende a se enraizar, o que limita o potencial e as perspectivas das pessoas de baixa renda e reduz o crescimento a longo prazo.

Nosso gráfico da semana mostra como a desigualdade de oportunidades interage na relação entre desigualdade de renda e crescimento a longo prazo.

 

Utilizamos dados sobre a desigualdade de oportunidades extraídos da base de dados global sobre mobilidade intergeracional (Global Database on Intergenerational Mobility) do Banco Mundial, que calcula a correlação entre a renda de pais e filhos numa ampla amostra de países. Quanto maior a correlação, menor a probabilidade de os filhos alcançarem um padrão de vida melhor que o de seus pais, o que indica uma distribuição menos equitativa de oportunidades. Assim, essa correlação serve para medir a chamada mobilidade intergeracional, no jargão econômico.

No gráfico, dividimos a amostra entre países com alta e baixa mobilidade intergeracional.

Nos países com alta mobilidade, observamos que a relação entre crescimento do PIB real per capita e desigualdade de renda, medida pelo coeficiente de Gini, é quase imperceptível. Nos países com baixa mobilidade, essa relação é fortemente negativa. Assim, a desigualdade de oportunidades é um elemento chave para explicar a relação entre desigualdade e crescimento.

Um número crescente de exemplos na literatura econômica mostra que a desigualdade de oportunidades tende a se manter elevada em um contexto de acesso desigual à educação, mercados de trabalho segregados entre trabalhadores integrados e excluídos e mercados financeiros que beneficiam os mais abastados.

Os governos devem adotar políticas que aumentem o acesso à educação infantil de alta qualidade, reduzam a dualidade do mercado de trabalho e o desemprego estrutural e ampliem as fontes de financiamento disponível para os novos empreendedores.

Os dados de nosso estudo sugerem que essas medidas de equalização das condições não só promoveriam a justiça social mas também estimulariam o crescimento.









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